18 de setembro de 2025
“Você nasceu para ser feliz e não para uma felicidade futura” provoca a psicóloga Maria Rafart. A reflexão serve como ponto de partida para falar sobre a saúde mental na terceira idade, fase da vida que, apesar de trazer liberdade e novas experiências, também pode apresentar desafios emocionais importantes.
Para muitas pessoas, a aposentadoria, o luto pela perda de familiares ou amigos, doenças crônicas e mudanças na rotina podem trazer sentimentos de tristeza, desânimo e isolamento social. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15% dos idosos sofrem de algum tipo de transtorno depressivo, muitas vezes sem diagnóstico.
Reconhecendo a depressão e seus sinais
Muitas vezes, os sintomas da depressão são confundidos com sinais “naturais do envelhecimento”, o que dificulta a identificação e o tratamento precoce. Entre os sinais mais comuns estão:
- Desânimo persistente e tristeza profunda
- Perda de interesse por atividades antes prazerosas
- Alterações no sono e no apetite
- Queixas frequentes de dores físicas
- Sentimento de inutilidade ou desesperança
O Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio e promoção da saúde mental, chama atenção para a importância de olhar para esses sinais. Dados do Ministério da Saúde mostram que a taxa de suicídio entre pessoas idosas é maior do que entre jovens, muitas vezes relacionada à depressão não diagnosticada.
Deve-se olhar para este tema de forma ampliada. Não é só a tentativa intencional de suicídio que causa impactos, mas também posturas de desistência de si mesmo e de seus objetivos, desleixo e abandono de cuidados com a saúde, que acabam também por reduzir a qualidade e o tempo de vida.
Maria Rafart alerta que “quando sua tristeza é mais pesada do que em outros tempos ou dura mais do que o habitual, pode ser depressão. Nesses casos, deve-se buscar um psicólogo ou psiquiatra para avaliação e tratamento”. A profissional explica ainda que um terapeuta funciona como um filtro, ajudando a refletir, interpretar sentimentos e promover a chamada “cura pela fala”.
Maria reforça que observar sinais de alerta em amigos e familiares é importante, mas a ajuda deve ser oferecida de forma acolhedora, sem impor ações ou conselhos. “Não é porque se é idoso que uma pessoa deve ser menos consciente. É fundamental ter em mente: Você não é seus pensamentos”, lembra.
Práticas para promover a saúde emocional
Em um bate-papo bastante leve com a jornalista da AEA-PR, Daiana Lopes, Maria Rafart também compartilha estratégias para fortalecer a saúde mental, como:
- Caderno da gratidão: escrever motivos de gratidão diariamente e reler quando estiver desanimado
- Exercícios físicos: atividades que exigem esforço e movimentam o corpo
- Alimentação simples e saudável: arroz, feijão e vegetais, como aprendemos com os avós
- Convívio social presencial: encontros, jogar conversa fora, cafés e atividades coletivas
- Atividades manuais e leitura: substituir tempo excessivo nas redes sociais por práticas que estimulam o cérebro de forma lenta e consciente
Encarar a finitude com naturalidade, valorizar o presente e refletir sobre o propósito de vida são outras posturas importantes para manter a saúde emocional na terceira idade. A entrevista completa com Maria Rafart, com mais orientações e reflexões sobre saúde mental e felicidade, pode ser assistida no Canal da AEA-PR no YouTube.
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