Novembro Azul e saúde masculina : Por que acabar com o preconceito?

14 de novembro de 2025

Quantos homens com mais de 50 anos que você conhece fazem exames regulares de saúde? E quantos deles já fizeram ou  fazem o exame de próstata conforme a recomendação?

O tema é incômodo, mas necessário. Segundo o Ministério da Saúde, as mortes por câncer  de próstata cresceram 21% na última década, passando de 14.984 em 2015 para 17.587 em 2024, o que representa uma média de 48 óbitos por dia.

A campanha Novembro Azul, criada para informar sobre câncer de próstata hoje é tida como uma estratégia de conscientização sobre a Saúde do homem de forma mais ampla. E é  fundamental lembrar que o cuidado com a saúde masculina vai muito além do exame específico para detecção de câncer de próstata: envolve atenção integral ao corpo, hábitos e saúde emocional.

Dados que alertam

Segundo estimativas da Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil terá cerca de 71 730 novos casos de câncer de próstata a cada ano para o triênio 2023-2025. 

Além disso, cerca de 70% dos homens que procuram um consultório médico o fazem motivados por terceiro, como esposa ou filhos, segundo levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo.

Esses dados reforçam dois fatos: o câncer de próstata é frequente e letal em estágio avançado e há uma resistência cultural significativa entre os homens em buscar cuidados preventivos.

Preconceito, resistência e cultura

A saúde masculina sofre com estigmas que impedem o cuidado precoce. Um estudo recente, conduzido por pesquisadores da Dinamarca, revelou que os homens frequentemente adiam exames de rotina ou tratamentos preventivos porque associam isso à ideia de  “fraqueza”.

Essa resistência está ligada a concepções de masculinidade que valorizam força, autossuficiência e inércia diante do próprio corpo. Na prática, isso resulta em diagnósticos tardios, tratamentos mais agressivos e menor chance de recuperação.

Na contramão desse comportamento a Sociedade Brasileira de Urologia reforça: diagnóstico precoce é decisivo e pode salvar mais de 90% dos pacientes. Por isso, o preconceito deve ser quebrado e o tema sáude deve ser compartilhado em rodas de conversa, tanto quanto o clima, a política ou os campeonatos de futebol.

Prevenção que vai além dos exames

O exame de próstata, normalmente PSA e toque retal, é ferramenta fundamental de diagnóstico, mas não pode ser visto como a única estratégia de combate à mortalidade causada pelo câncer.

Segundo o médico acupunturista, especialista em medicina integrativa e nutrologia, Dr. Endrigo Prevedello, é aí que a prevenção ganha força.“O câncer de próstata está ligado ao tabagismo, ao uso de álcool e também a hábitos alimentares inadequados. Excesso de carne, alimentos ultraprocessados e até dietas vegetarianas mal equilibradas podem favorecer processos cancerígenos”, explica

O especialista destaca que fatores cotidianos da vida urbana contribuem para o adoecimento: estresse crônico, noites mal dormidas, alimentação pobre em nutrientes e sedentarismo. “Muitas vezes o câncer só se manifesta após anos de danos. Quando o problema aparece, a próstata já foi muito prejudicada. Por isso, o foco do Novembro Azul deve ser aconstrução de bons hábitos.”

Cuidados essenciais: 

Entre as medidas recomendadas por profissionais de saúde e instituições especializadas estão:

  • Alimentação equilibrada: Dieta rica em frutas, verduras, legumes, fibras, gorduras saudáveis; reduzir carnes processadas, gordura animal, embutidos frituras e ultraprocessados.

     

  • Evitar álcool e eliminar o tabagismmo: ambos são fatores de risco para diversos tipos de câncer, inclusive o de próstata.

     

  • Exercício físico regular: melhora a circulação, reduz inflamação, ajuda a manter peso saudável e favorece o equilíbrio hormonal.

     

  • Bom sono e saúde emocional: noites bem dormidas e baixos níveis de estresse ajudam o corpo a manter seu sistema imunológico e regenerativo em funcionamento.

     

  • Exames periódicos: homens a partir dos 50 anos devem conversar com o urologista sobre a necessidade de PSA e toque retal. Homens com antecedentes familiares, negros ou com outros fatores de risco devem fazer os exames a partir dos 45 anos

 

Para saber mais:

Acesse o site e informativos da Campanha produzidos pela Sociedade Brasileira de Urologia

https://portaldaurologia.org.br/novidades/campanhas/novembro-azul

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