Saúde intestinal : o que você precisa saber para viver melhor

26 de maio de 2026

Maio é o mês de conscientização sobre as doenças inflamatórias intestinais, mas a conversa sobre o intestino vai além. Para quem tem 50 anos ou mais, cuidar desse órgão é uma das chaves para prevenir doenças graves e manter a qualidade de vida geral

O intestino como centro da saúde

Pode parecer exagero, mas o intestino é hoje reconhecido pela ciência como um dos órgãos mais importantes do corpo humano, com influência direta sobre a imunidade, o humor e até o raciocínio. Não à toa, ele ganhou o apelido de "segundo cérebro".

Para a médica especialista em medicina funcional integrativa Michelle Castro, entender o funcionamento do intestino é essencial para quem quer envelhecer com saúde. "Já sabemos que é ali onde as bactérias intestinais produzem a maior parte dos neurotransmissores, como a serotonina, substâncias totalmente relacionadas à saúde mental", explica.

Atenção ao câncer colorretal

Para a população acima dos 60 anos, um dos principais cuidados com o intestino é a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer colorretal, tipo de câncer que se origina no intestino grosso ou no reto. "Na população mais idosa, o mais importante em relação ao intestino é a prevenção do câncer de intestino. Por isso a importância de se fazer as colonoscopias", explica a médica.

O exame, que avalia o interior do intestino grosso, é a principal ferramenta de rastreamento disponível e pode identificar lesões antes mesmo que se tornem malignas. A recomendação geral é que pessoas acima dos 50 anos realizem o exame periodicamente, mas o médico de confiança é quem deve orientar o intervalo ideal para cada caso.

Alguns sintomas nunca devem ser ignorados e precisam ser investigados com urgência. Segundo a especialista, os principais sinais de alerta são:

  • Sangramento nas fezes
  • Perda de peso sem explicação
  • Alterações persistentes na consistência das fezes
  • Diarreia prolongada

O que é a inflamação crônica de baixo grau

Além do câncer, há outro processo silencioso que merece atenção: a inflamação crônica de baixo grau. Diferente de uma inflamação comum, causada por uma infecção ou machucado, essa inflamação é constante, quase imperceptível no dia a dia, e se instala ao longo dos anos por conta dos nossos hábitos de vida.

Ela acontece quando a parede do intestino fica comprometida, tornando-se mais "porosa" do que deveria."Quando a gente tem hábitos ruins, a gente piora a saúde das paredes do intestino, prejudicando a junção das células intestinais. Isso gera uma inflamação crônica de baixo grau sustentada, que é base para outras doenças crônicas", explica Michelle.

Essa inflamação está relacionada ao desenvolvimento de doenças como hipertensão, diabetes, depressão, ansiedade, doenças neurológicas e até cânceres. 

A disbiose: quando as bactérias boas diminuem

Dentro do intestino vivem trilhões de micro-organismos, principalmente bactérias, que formam o que chamamos de microbiota intestinal. Quando há equilíbrio entre as bactérias boas e as prejudiciais, o intestino funciona bem. Quando esse equilíbrio se rompe, temos a disbiose.

Sintomas mais comuns:

  • Gases e distensão abdominal (barriga "estufada")
  • Diarreia ou constipação frequentes
  • Dores e cólicas abdominais
  • Digestão lenta ou má absorção de nutrientes
  • Cansaço sem causa aparente
  • Candidíase de repetição
  • Alergias e intolerâncias alimentares
  • Problemas de pele (acne, eczema)
  • Ansiedade, irritabilidade e dificuldade de concentração
  • Baixa imunidade (infecções frequentes

    O que protege e fortalece o intestino

    "Desembalar menos e descascar mais. Quanto mais a gente conseguir variar, principalmente com vegetais, frutas, legumes e saladas, a gente consegue alimentar as bactérias boas do intestino."

    Dra. Michelle Castro

    A boa notícia é que boa parte dos fatores que prejudicam o intestino pode ser controlada com mudanças de hábito. Para manter o intestino saudável, a especialista recomenda um conjunto de cuidados que atuam em conjunto:

    Alimentação variada e natural: quanto mais colorido e diversificado o prato, melhor para as bactérias intestinais. Variar os alimentos saudáveis é uma das formas mais eficazes de fortalecer a microbiota.

    Prática regular de atividade física: o movimento estimula o funcionamento do intestino e ajuda a controlar a inflamação.

    Gerenciamento do estresse: técnicas como respiração consciente, meditação e terapia são aliadas importantes da saúde intestinal.

    Sono de qualidade: dormir bem é fundamental para que o intestino e todo o organismo se recuperem.

    Redução do consumo de álcool e abandono do tabaco: pequenas reduções já fazem diferença.

    Em alguns casos, o médico pode indicar a suplementação com fibras, probióticos ou prebióticos. "Isso é tudo muito individualizado, não existe uma suplementação que serve para todo mundo. É individualizado de acordo com a anamnese e as queixas que o paciente apresenta", esclarece a médica.

    Intestino saudável, mente saudável

    Um dos aspectos mais surpreendentes sobre saúde intestinal é a ligação dela com saúde mental. Ansiedade e depressão, condições muito prevalentes entre pessoas com mais de 60 anos, têm relação direta com o estado do intestino.

    "Uma saúde intestinal ruim, uma qualidade ruim da microbiota e uma permeabilidade intestinal aumentada pioram muito os quadros de ansiedade e depressão. E o contrário também é verdade: uma saúde intestinal boa tem relação com a melhora do prognóstico dessas doenças mentais", explica Michelle Castro.

    Isso significa que cuidar do intestino não é só uma questão digestiva. É também uma forma de proteger o bem-estar emocional e cognitivo.

    *Matéria produzida com orientação da Dra. Michelle Castro, médica especialista em medicina funcional integrativa - CRM 28104 - Contato: 41 9993-4589

    VEJA TAMBÉM: Palestra transmitida pela AEA-PR com Dr. Georges Kotsifas, especialista em Nutrologia médica. Assista clicando aqui.

    Palestra com Dr. Luiz Carlos - "Como envelhecer sem ficar velho" - Assista no instagram, clicando aqui.

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