Entenda como identificar e como lidar com a Doença de Parkinson

29 de abril de 2026

Dia 11 de abril foi o Dia de Conscientização da Doença de Parkinson e, fazendo alusão à data, a AEA-PR traz mais informações sobre a doença, para que associados saibam como identificar, tratar e cuidar de pessoas diagnosticadas. A conscientização ajuda a reduzir o estigma, incentivar o diagnóstico precoce e fortalecer redes de apoio a pessoas com Parkinson e seus cuidadores. O diagnóstico precoce também ajuda as pessoas com Parkinson a manter a autonomia e o bem-estar.

A Doença de Parkinson é uma condição neurológica crônica e progressiva que afeta principalmente os movimentos, mas também pode causar sintomas como alterações do sono, do humor e do funcionamento intestinal. Trata-se de uma doença neurodegenerativa, ou seja, algumas células do cérebro que produzem dopamina (substância importante para coordenar os movimentos) vão sendo perdidas ao longo do tempo. Isso pode causar lentidão, tremor, rigidez e alterações na postura e na marcha.

“Parkinson é uma doença que se faz presente normalmente após os 60 anos, e o interessante de se falar da doença, é que as pessoas podem falar de si, seus sintomas, que variam muito de um paciente para outro. Os cuidadores podem falar de sua sobrecarga, suas preocupações... E, também, as pessoas que notam alguns sintomas se conscientizem e procurem confirmar ou descartar esse diagnostico, porque quanto mais cedo começa o tratamento, menor podem ser os danos causados pela doença”, diz a associada Mabel Correa Machado, psicóloga com especialização em Neuropsicologia, e voluntária na Associação Parkinson Paraná.

• Veja como contribuir com a Associação Parkinson Paraná

Ela ainda lembra que Parkinson será um dos temas do projeto Acolhimento, promovido pela AEA-PR.

Associação Parkinson Paraná

Para contribuir com o cuidado de pessoas com Parkinson, é possível fazer doações à Associação Parkinson Paraná. Acesse o site e aponte a câmera do celular para o código QR.

“Esse trabalho de conscientização vai de encontro à necessidade de conhecer a doença para melhorar o comportamento das pessoas em relação aos pacientes”, afirma Presidente da Associação, Josué Pereira Garcia.

Sinais e sintomas

Sintomas ligados ao movimento:

  • Lentidão: movimentos ficam mais lentos e com menor amplitude; pode aparecer como “mãos menos ágeis”, dificuldade para abotoar roupa, letra menor ou voz mais baixa.
  • Rigidez: sensação de “travamento” ou resistência ao mover braços, pernas ou pescoço.
  • Tremor de repouso: tremor que costuma aparecer quando o membro está relaxado (menos comum).
  • Alterações de postura e marcha: passos curtos, redução do balanço dos braços, dificuldade para virar, instabilidade e episódios de bloqueio da marcha.

Sintomas não motores:

  • Alterações do sono (sonhos muito vívidos, movimentos durante o sono, sonolência diurna).
  • Redução do olfato.
  • Constipação/obstipação e outras alterações gastrointestinais.
  • Ansiedade, depressão, apatia e fadiga.
  • Dor, tontura ao levantar e outros sintomas autonômicos.
  • Dificuldades cognitivas em parte dos casos, especialmente em fases mais avançadas.

Diagnóstico: como é feito e quando procurar avaliação médica?

O diagnóstico é principalmente clínico, feito pela avaliação da história e do exame neurológico. Ainda não existe um exame único que “feche” o diagnóstico para todos os casos. Em algumas situações, o médico pode solicitar exames para excluir outras causas ou apoiar a investigação (como exames de imagem para descartar lesões estruturais e, em casos específicos, exames funcionais).

É recomendado procurar atendimento médico quando houver lentidão, rigidez, tremor em repouso ou mudanças na marcha persistentes. Em caso de quedas frequentes, engasgos repetidos, tontura importante ao levantar, confusão ou alucinações, é indicado o atendimento com prioridade.

Tratamento e cuidado

O tratamento é individualizado e pode combinar medicamentos, reabilitação e acompanhamento multiprofissional. Embora ainda não haja uma cura que interrompa totalmente a progressão da doença, há muitas opções para controlar sintomas e melhorar a qualidade de vida.

  • Medicamentos: a levodopa e outras medicações podem reduzir sintomas motores; ajustes costumam ser feitos ao longo do tempo conforme resposta e efeitos adversos.
  • Fisioterapia e exercícios: ajudam marcha, equilíbrio, força e condicionamento; a prática regular é um dos pilares do cuidado.
  • Fonoaudiologia: pode auxiliar voz, fala e deglutição.
  • Terapia ocupacional: estratégias para atividades do dia a dia (banho, vestir, alimentação, escrita).
  • Saúde mental: manejo de ansiedade/depressão e apoio psicossocial.
  • Procedimentos em casos selecionados: algumas pessoas podem se beneficiar de abordagens como estimulação cerebral profunda, após avaliação especializada.

Como apoiar uma pessoa com Parkinson

  • Evite julgamentos: sintomas podem variar ao longo do dia.
  • Respeite o tempo: dar alguns segundos a mais para a pessoa iniciar movimentos ou completar uma frase pode fazer diferença.
  • Ofereça ajuda com autonomia: pergunte “como você prefere?” em vez de agir sem combinar.
  • Incentive rotina ativa e segura: exercícios, socialização e ambiente organizado (menos obstáculos em casa) reduzem risco de quedas.
  • Apoie cuidadores: cuidado contínuo pode ser exaustivo; dividir tarefas e oferecer pausas é essencial.

Sugestões de cuidados de dia a dia para pessoas com doenças neurológicas

A associada Vera Carrano, conhecedora dos sintomas da doença de Parkinson, traz algumas sugestões de cuidado para pessoas com a doença:

  • Organização dos medicamentos: usar o despertador do celular para tocar no horário, indicando o medicamento a ser usado.
  • Uso de talheres específicos (da Tramontina), principalmente para quem tem tremores – clique para ver um exemplo
  • Uso de Alça de Apoio Auxiliar da Porta do Carro (para desembarque) – clique para ver um exemplo
  • Solicitar isenção de Imposto de Renda e IPVA.
  • Utilizar a disponibilidade de medicamentos gratuitos através da Associação de Parkinson do Paraná, da Farmácia do Paraná, da Farmácia Popular, e da Unidade de Saúde (SUS), inclusive para fraldas geriátricas:

- ASSOCIAÇÃO DE PARKINSON DO PARANÁ: Av. Silva Jardim, 3180 – Curitiba/PR

- FARMÁCIA DO PARANÁ: Av. Mal. Floriano Peixoto, 250 – Curitiba/PR ou para quem não mora em Curitiba

- FARMÁCIA POPULAR: procurar qualquer farmácia de Rede que seja credenciada (o programa oferece medicamentos gratuitos ou com até 90% de desconto)

- UNIDADE DE SAÚDE – (SUS), procurar a US mais próxima da sua residência, atualizar seu cadastro e marcar consulta com o médico para disponibilizar medicamentos que a US disponibiliza (não necessariamente medicamentos para doenças neurodegenerativas). A receita a ser apresentada na Farmácia Popular precisa ser emitida pelo médico da US.

  • Providenciar a Credencial de Estacionamento para Vaga Especial, para quem utilizar carro. Para quem não dirige, há colegas aposentados que trabalham com UBER, que podem auxiliar e agendar o transporte do Portador.
  • Instalar barras de apoio para acento sanitário e box do banheiro, além de tapetes antiderrapantes para o box.
  • Realizar um planejamento sucessório.
  • Ter um familiar que acompanhe em consultas, atividades terapêuticas, etc.
  • Fazer regularmente atividades físicas, e sempre usar calçados adequados.
  • Se organizar financeiramente.
  • Ter cuidados com a alimentação e com a saúde, manter em dia seus exames. Importante também ter o acompanhamento de um Geriatra, um Fonoaudiólogo, além do Neurologista. Cuidar também da saúde bucal.

Tipos de Parkinson e parkinsonismo

Nem todo “parkinsonismo” é Doença de Parkinson. No dia a dia, o termo parkinsonismo descreve um conjunto de sinais (como lentidão e rigidez) que pode ter causas diferentes. Entender essas diferenças ajuda a evitar confusões — e reforça a importância da avaliação com profissional de saúde.

  • Doença de Parkinson (idiopática ou “clássica”): é a forma mais comum. Chama-se idiopática quando não há uma causa única identificável; envolve, perda de neurônios que produzem dopamina e costuma responder bem à levodopa, sobretudo no início.
  • Parkinsonismo secundário: quando o parkinsonismo tem uma causa identificável, como efeito de alguns medicamentos (como certos antipsicóticos e antieméticos), alterações vasculares, intoxicações ou outras condições. Nesses casos, o tratamento foca em corrigir/retirar a causa quando possível.
  • Parkinsonismos atípicos (ou “síndromes parkinsonianas”): são um grupo de doenças neurodegenerativas que podem causar sintomas parecidos com os do Parkinson (lentidão, rigidez e alterações da marcha), mas costumam ter outros sinais associados e uma evolução diferente. Em geral, a resposta à levodopa é menor ou mais limitada. Alguns sinais que podem sugerir parkinsonismo atípico (isso não substitui avaliação médica): quedas mais precoces, instabilidade importante, tontura ao levantar e outras alterações autonômicas marcantes (pressão baixa, alterações urinárias), dificuldade para olhar para cima/para baixo, fala e deglutição comprometidas cedo, rigidez muito intensa, sintomas mais simétricos desde o início ou alterações cognitivas/alucinações que aparecem cedo. Exemplos: atrofia de múltiplos sistemas (AMS), paralisia supranuclear progressiva (PSP), degeneração corticobasal (DCB) e demência com corpos de Lewy (DCL). O diagnóstico e o acompanhamento costumam ser feitos por neurologista (idealmente especialista em distúrbios do movimento).

Independentemente do tipo, reconhecer sinais cedo e buscar orientação pode fazer diferença no controle dos sintomas e na qualidade de vida.

*ESTE TEXTO TEM FINALIDADE INFORMATIVA E NÃO SUBSTITUI CONSULTA MÉDICA.

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